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A Extrema Direita Entrou nas Igrejas e Tornou o Ódio Sagrado

A Extrema Direita Entrou nas Igrejas e Tornou o Ódio Sagrado

Fonte: Instagram                                                                                    

A interseção entre a política de extrema-direita e o extremismo religioso é frequentemente denominada nos meios acadêmicos como "Ódio Sagrado". O resultado desta eleição mostrou que a estrema direita no Brasil entrou nas igrejas com força.

Isto representa um fenômeno global crescente no qual a teologia, os símbolos e a identidade cristãos são instrumentalizados para justificar o etnonacionalismo e a rebelião contra o governo. O exemplo da Europa e Estados Unidos nos assusta.

Estudiosos, teólogos e comentaristas culturais observam que movimentos políticos podem instrumentalizar textos sagrados e crenças tradicionais, transformando comunidades centradas na compaixão em campos de batalha ideológicos.

Há poucos dias, o site do Instituto Humanitas Unisinos publicou o resumo de um debate de sociólogos brasileiros sobre a disputa pelo sagrado na política brasileira, que deve ser lido por eleitores, políticos de esquerda e direita, no sentido de entender como o discurso cristão de compaixão de Cristo é transformado em discriminações, violência e ódio.

As igrejas cristãs, como fez Cristo, devem receber e abraçar todos os seres humanos, mesmos que sejam ladrões, milicianos, criminosos, prostitutas e outros pecadores, desde que estejam na busca dos valores do Evangelho e da compaixão e não do ódio.

O Papa Leão XIV afirmou, há poucos dias, que estas práticas da extrema direita “não constitui uma expressão do cristianismo”. Para ele, “os valores do Evangelho não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento."

No Inglaterra, o bispo da igreja anglicana, Arun Arora, conclamou os cristãos a resgatarem a bandeira e a sua fé das mãos da extrema direita, afirmando que ambos estavam sendo profanados por pessoas que buscam dividir a nação.

Arora afirmou, ainda, que os cristãos não devem ser "neutros diante da violência e da injustiça. Como seguidores de Cristo, nosso dever é claro: desafiar aqueles cujos lábios destilam injúrias e ódio, refutar a divisão e restaurar a dignidade na construção do bem comum".

A eleição deste domingo mostrou claramente a interseção entre religião e política de extrema-direita, que envolve a manipulação política de tradições de fé para justificar a exclusão, ressentimentos culturais e manobras de poder nacionalistas.

Tanto a direita quanto a esquerda no Brasil devem enfrentar a extrema direita vitoriosa no país. O que importa não é o fato de ser de extrema direita, mas as práticas de extrema direita voltadas para as discriminações, ódios e violências.

Como já foi dito, esquerda e direita deste país não devem se render ao discurso moralista, de extração bíblica, que visa destruir os avanços e valores de nossa frágil democracia, com injúrias, ódio e violência para discriminar minorias, reduzir os direitos de cidadania, através de deturpações fundamentalistas do Evangelho de Cristo.

Pelos resultados das eleições, com esmagadora vitória da extrema direita em cima da esquerda e da própria direita de tradições democráticas e cristãs e pelas notícias do New York Times, o discurso do “ódio sagrado” funcionou dentro das igrejas, sobretudo das igrejas evangélicas e pentecostais.

Ainda pela pesquisa divulgada pelo New York Times, esquerda e direita neste país precisam avançar numa pauta socioeconômica de combate às políticas do mal e injustiças sociais, que dão suporte ao discurso do “ódio sagrado”.

Sem avanços nesta direção, os lábios que destilam injúrias, ódio e divisão continuaram com uma teologia distorcida e tóxica, ameaçando nossa democracia dentro e fora das igrejas, em nome do sagrado.  

Por fim, certos grupos de extrema-direita são anticristãos e o uso que fazem da simbologia cristã é ultrajante. Justiça, igualdade, laços que nos unem — é isso que buscamos como cristãos.


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